Can’t let this go

Se compararmos a vida com um livro, cada fase seria um capítulo. Alguns capítulos são mais longos, outros menores. Nem sempre é a quantidade de páginas que constitui aquele capítulo que mostra a sua importância. Algumas pessoas tem a habilidade de rondar a sua vida por anos e anos e no final não acrescentarem nada. Já outras conseguem mudar a sua vida tendo uma breve passagem, muitos diriam ate que insignificante, perante sua pequena quantidade de linhas. O meu livro ainda é fino, comparado ao de pessoas muito mais velhas, mas posso dizer que para uma pessoa de 17 anos ele é bem volumoso. A história que eu quero contar é a respeito de um desse capítulos. Esse capítulo é longo e volumoso, conta a história de dez anos da minha vida em que vivi em um mundo de magia e imaginação.

Eu lembro claramente quando a minha mãe chegou em casa de viagem comentando sobre um livro que contava a história de um bruxo. Debateu-se por dias a questão de este livro ser lido para mim, já que a história era um pouco pesada.  Quando foi decidido que eu já era crescida o suficiente para entender a história, apesar dos meus meros sete anos, meu pai começou a ler a história para mim, trocando palavras difíceis por palavras que eu entenderia. Toda noite, antes de dormir, eu ia para a cama dos meus pais e o meu pai lia uma capítulo do livro. Esse processo foi o mesmo durante quatro anos, depois eu li os livros por conta. A cada livro, era como se eu entrasse na história. Conseguia me imaginar perambulando os corredores de Hogwarts e passando as noites na sala Comunal. Lembro de comprar tudo que saía sobre a serie, revistas, álbuns de figurinhas, posters. Naquela época não tinha varinhas e vestes sendo vendidas online, então era preciso usar a imaginação. Simples vassouras se tornavam Nimbus 2000, especiarias era usadas como ingredientes de poções e vasilhas como caldeirões.

Eu vivi nesse mundo por 10 anos. Dez anos que quando analisados agora, passaram voando. Dez anos que Harry, Rony e Hermione foram partes constantes da minha vida. Pode soar clichê, mas eu aprendi muitas coisas com essa história. Acho que a parte mais bonita da história  é a amizade dos três. É aquela vontade de ter algo tão forte quanto eles tiveram.

Eu demorei a escrever esse texto. Acho que pelo mesmo motivo pelo qual demorei para assistir o filme: medo do fim. Quando fechei o sétimo livro, há dois anos, veio um sentimento de perda. Mas, poxa, porque ficar triste? Ainda tinha as duas partes do sétimo filme! Mais dois anos de magia. Esse sentimento de perda se tornou mais forte quando a luz do cinema acendeu e era me deparei com a verdade: acabou. Por mais que eu queira fugir, não há para onde escapar. Agora é para sempre.

Esta na hora de seguir em frente, mas nunca deixar Hogwarts para trás.

 

“No story lives unless someone wants to listen. The stories we love best live in us forever. So whether you come back by page or by the big screen, Hogwarts will always be there to welcome you home.”

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A nossa história não acaba aqui

A chuva insistia em cair, do mesmo jeito que as lágrimas em meu rosto também. Parecia que até era combinado. Enrolei-me ainda mais em meu cobertor, quando um trovão quebrou o silêncio quase profundo. Agora era esse pedaço de pano que me protegia e não mais grandes e confortáveis braços. Não era mais ele que me abraçava nos dias cinzas e entediantes, agora, era eu mesma que fazia esforço pra me manter bem.[1]

E que esforço. Era como se todos os dias fossem iguais. Mesmo que fizesse sol, no meu mundo, o dia estava encoberto e frio. A luz da secretária-eletrônica, que mostrava que havia uma mensagem, piscava de maneira irritante. Nem por isso iria ouvi-las. Queria me isolar do mundo, apertar o “pause” e deixá-lo lá, até o momento em que me sentisse bem para voltar.

Voltar para a realidade. Aquela que venho tentando evitar desde que tudo aconteceu. Desde que ele se foi. Se já não bastassem todos os problemas rotineiros, agora tinha que enfrentar um novo problema, sem a ajuda daquele que me ajuda a solucionar os antigos. As duas semanas em casa haviam me feito bem, longe de tudo e todos. Longe dele também.

Se me perguntassem o que havia acontecido, eu não saberia responder. Não saberia falar o que havia feito de errado. Todos me diziam que ele não me merecia, que eu era muito para ele. Só falavam para me confortar.

O telefone toca outra vez e, como habitual, deixo-o tocando. Estou tão absorta em meus pensamentos que demoro a identificar a voz que está deixando a mensagem. “Atenda ao telefone. Eu sei que está ai.” Um arrepio percorre a minha espinha, e o coração dispara. Tampo minha boca, como se ele fosse me ouvir. Ouço um suspirar pesado, fazendo meus olhos enxerem-se de lágrimas. “Desculpa-me.” As lágrimas voltam a cair assim que a ligação acaba. Encolho-me mais nas cobertas, ouvindo outro trovão explodir lá fora. Mil pensamentos cruzam minha mente de maneira desgovernada. Dobro os joelhos, apoiando a cabeça nele.

Ouço fortes batidas na porta, junto com gritos com o meu nome. Com um pulo levanto do sofá e me direciono a porta, parando alguns passos de distância. Como se sentisse minha presença, começa a falar mais baixo, pedindo para que eu abra a porta. As mãos trêmulas alcançam a maçaneta e a chave.

Talvez fosse hora para colocar as coisas de volta no lugar.

[1]   Esse primeiro parágrafo foi originalmente escrito pela minha amiga, Nih. (@prettyeletric) Foi o trecho que me inspirou para continuar o texto.

I’m still waiting for you

A vida passa tão rápido e as vezes não nos damos conta disso, não é mesmo? Não ligamos para meros detalhes, ou para pessoas que nunca pensamos que estariam longe de nós. E hoje me vejo longe, longe da pessoa que eu nunca pensei que um dia estaria longe. Sabe, é realmente muito estranho ver como os meses passaram rápido e, consecutivamente, os anos.  Já se passaram dois anos e quatro meses.

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Slow down, it’s happening.

 

As mãos suam, as pernas tremem e o coração bate aceleradamente.  São alguns minutos de distância. Minutos que parecem dias. Tento pensar em alguma outra coisa, só para se distrair. Tento, tento e não consigo. Foram quatro anos de espera. Quatro anos ouvindo as musicas e imaginando como seria estar perto deles, como seria ouvir aquelas musicas ao vivo. Alguns degraus é a distância que me separa deles.

Subo todos os degraus, já os consigo ver. Todos sorrindo e conversando com a pessoa que foi antes de mim. Entrego a câmera pro assistente. O coração aperta. A menina se despede e sai. O segurança me deixa passar. Eles olham para mim. Bryan,Paul, Martin e John. Nessa ordem. Todos sorriem e eu entrego o pôster para eles autografarem, tremendo. Digo oi e eles respondem, sorridentes. Entrego o bilhete que uma menina me entregou na fila. Paul sorri, agradece e brinca porque todos os bilhetes são para o Martin. Dou uma risada e concordo com a cabeça.  Tudo o que eu queria falar, tudo o que sonhei falar, simplesmente some. Minha garanta fica seca e eu travo.

Paul passa o braço pela minha cintura e me dá um meio abraço. As pernas tremem mais forte. Martin brinca com relação à minha camiseta e passa a mão por volta do meu corpo para tirar a foto, sorrindo. John e Bryan dão risadas e comentam alguma coisa. Paul aperta meu corpo e me solta em seguida. Nenhuma parte do  meu corpo reage aos meus comandos. Sorrio para a foto, com os braços em volta do Martin e Paul. Foto tirada. Martin aperta meu corpo contra o dele e sorri mais uma vez, pegando o pôster para rabiscar. Espero terminarem de assinarem o pôster e agradeço. Agradeço como se pudesse transmitir todo meu amor em duas palavras.

A cabeça gira. Nada daquilo parece real. Parece um sonho. Um sonho perfeito. Desço para a pista VIP, com as meninas. Todas tão atordoadas que nem percebemos que entramos no lugar errado. O HSBC é nosso. Não tem ninguém na VIP, além das pessoas que estavam conosco. Agarro a grade como se você um pedaço de mim. Os meninos da banda de abertura estão no palco e me dão uma palheta. Os portões são abertos e a casa começa a encher. Duas horas depois, o coração dispara de novo.

O show começa e todos vão à loucura. Os quatro estão muito animados e contagiam a todos. Passam-se várias músicas. Martin passa na minha frente, estico a mão o máximo que eu posso. Ele me encara e abaixa, segurando minha mão. “I caught it when I kissed you. And I’ve been through all the stages.. I’m feeling sick. Girl, you’re so contagious”. Canta esse trecho agarrado à minha mão, me olhando nos olhos e minhas pernas falham. O show continua e a última musica chega e Martin se joga na platéia. Histeria total.  Eles voltam e vão embora. Acabou.

Quando deito na cama, repasso todo o meu dia. Me arrepio e sinto aquela sensação gostosa de novo. A mesma que senti quando estava com eles. Não foram nem dois minutos. Não chegamos a conversar. Mas, não tinha como ter sido melhor. Os braços. A brincadeira. O olhar. O toque da mão dele na minha. Piegas? Talvez. Mas foram os melhores dois minutos da minha vida. Foi, com certeza, um dos melhores dias da minha vida.

E eu só tenho a agradecer, Boys Like Girls.

“Martin: What’s written on your t-shirt?”

“Sleeping with band dudes doesn’t make you famous”

“Martin: Well, it doesn’t hurt.” *pisca*

Eu quero um segundo de silêncio, será que é pedir demais?

Um dia a mais, um dia a menos. Até um tempo atrás isso não fazia muita diferença. Eu podia passar a tarde toda olhando o teto e deixar os trabalhos e lições acumularem sem me sentir culpada. Agora é diferente. Não consigo passar um dia sem dar uma repassada na matéria e sem tentar adiantar o maior número de lições possível. Caso não faça, é um dia a menos, um dia perdido. As cobranças aumentam cada dia mais. Objetivos não alcançados. Pontuação que poderia ter sido maior. Eles cobram. Você sabe que poderia ter ido melhor. Você sabe. Não foi melhor, então? Sinceramente, não sei.

Queria poder deitar a cabeça no travesseiro, fechar os olhos e relaxar. Não precisa ser por muito tempo, não. Cinco minutos. Dez no máximo. Apertar o “pause” e deixar o mundo de lado. Só por um tempo. Silêncio. Sem cobranças. Sem pressão. Sem barulho. Sem nada. Somente fechar os olhos. Deixar de lado todas as preocupações. Trancar no armário as pessoas que insistem em voltar à sua vida.  Desligar o celular. Fechar o notebook. Ficar incomunicável. Escapar do mundo. Fácil assim.

Queria poder, mas não posso. A vida segue e você continua carregando o peso do mundo nas costas. Tentando equilibrar tudo, para não perder nada. Tentar seguir em frente, com um sorriso no rosto. Mesmo que seja falso. Mesmo que por dentro, eu não seja nada daquilo que aparento ser.

O que você vai ser, quando crescer? O que a gente vai fazer, quando se ver, de novo? O que será que acontece pra gente um dia não se querer mais? Eu só queria um pouco de paz. (Fresno)

This time, I’ll try not to show that I am not letting go.

Cinco dias. Três pessoas. Um quarto.

Foram essas três coisas que me fizeram ter uma das melhores viagens da minha vida.

Os cinco dias e a convivência me mostraram que aquela amizade de dois anos atrás não se tornou menos forte por causa da distância.

As três pessoas faziam parte do meu “grupinho”, se por assim dizer, do primeiro ano colegial. Faz pouco tempo, mas muita coisa mudou desde então. Uma de nós mudou de colégio, uma mudou de sala e só duas permaneceram juntas. Distancia mínima, claro. Poderíamos muito bem ter continuado do jeito que era antes, mas foi diferente. É inevitável que algumas coisas se percam quando a convivência para de ser diária e passa a ser esporádica.

Aquela celebre frase “Ai, se essas paredes falassem…”, se aplica à esse fatídico quarto sete. Quando não estávamos na praia, comendo ou vendo filmes, estávamos falando coisas aleatórias. Segredos foram contatos, besteira ditas e joelhadas dadas.

É estranho acordar e não ter ninguém berrando bom dia. Descer para o café e não ter aquele delicioso café da manhã de hotel (pelo menos não tem uma senhora chata falando alto). Não tenho mais ninguém para montar castelinho de cartas e desviar de poças de lama. Virou inevitável lembrar da viagem quando ouço Dakota e quando vejo Bob Esponja. Estranho mesmo é ver que passou tão rápido.

A união e a ligação que nos temos é muito forte, por mais tempo que passemos separadas. Eu só tenho a agradecer a vocês, Giulia, Gabi e Ananda, por esses dias juntas. Vocês me fizeram lembrar quão bom foi o meu primeiro ano e o quão importante e insubstituíveis vocês são. Obrigada por terem feito o meu décimo – sétimo aniversario um dos mais marcantes.

Eu amo vocês.

Rewind

As vezes, somente um abraço é preciso para trazer a tona aquele sentimento que ainda não foi totalmente esquecido. Jurava que tudo havia ficado no passado, mas só precisou de um sorriso para que o seu coração voltasse a bater mais rápido. O orgulho, que antes era prioridade, agora foi deixado de lado, como se nada nunca tivesse mudado. A saudade aperta. Saudade que você nem sabia que existia. Saudade que não deveria existir.

Se vê sorrindo com lembranças. Se pega lembrando de momentos que jurava ter esquecido, que jurava não ter importância. Nunca imaginou se sentir dessa maneira novamente. Não pela mesma pessoa. Não tão rápido. Quer se sentir livre, mas ao mesmo tempo se sente vazia. Não quer voltar a ser dependente de nada nem ninguém. Quer voltar a ser como era antes.

A mão coça com vontade de pegar o telefone e digitar os números que foram decorados muito tempo atras. Vontade de ouvir aquela voz de novo, nem que seja para desligar logo em seguida. Nem que seja só para dizer adeus.

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